Lendas
Origem dos Javalis
S. Pedro e Nosso Senhor passaram por uma aldeia onde uma menina, chamada Maria da Cruz cuidava numa vara de porquinhos. Nosso Senhor contou-os e seguiu. Quando voltaram a passar por lá, Nosso Senhor verificou que os porquinhos não estavam lá todos. É que a mãe da Maria da Cruz tinha roubado alguns e Nosso Senhor julgou-a nestes termos:
- Os que aqui estão, partidos estão;
- Os que faltam, ao mato vão;
- E a pastora numa coruja se faça.
A menina transformou-se num passarinho com cara de gente e uma marrafa ao meio no cabelo e voou. Assim a mão de Maria da Cruz foi castigada: perdeu os porquinhos que se transformaram em javali, e a filha que se transformou numa coruja.
Contada por Maria do Carmo Tavares – Pedra do Altar
Lenda da Moura
Uma vez, uma moura estava sentada numa fraga a pentear-se com um pente de ouro.
Andavam por ali os pastores e punham-se a olhar para ela. Ela perguntava:
- Qual é mais bonito, é o meu cabelo ou o meu pente?
- É o seu pente!
- Ai o que perdeste! Se dissesses que era o meu cabelo ficavas rico para a vida toda!
Assim, não lhe deu nada.
Contada por Júlia Dias – Vale da Mua
A Grade de Ouro
Um homem sonhou três noites a fio que na casa dos mouros havia uma grade de ouro e que havia de lá ir buscar, mas não havia de dizer para ninguém que tinha tido aquele sonho. Resolveu ir lá buscá-la com os bois e o carro.
Quando vinha no cimo da ladeira, com os bois à vara disse em voz alta:
- Queira Deus ou não queira, a grade de ouro já cá vai para casa!
Os bois e o carro começaram a desandar para traz, foram cair a um poço e a grade ficou lá no fundo.
Contada por Júlia Dias – Vale da Mua
O Mouro e a Parteira
Uma noite um mouro foi ao Peral buscar uma parteira para fazer o parto á mulhe Como paga do trabalho, deu-lhe um punhado de carvões que ela enrolou no regaço da saia.
Como era de noite, ele foi acompanhar a parteira de volta ao Peral . Quando iam já perto, ela disse pró mouro:
-Agora, já se pode ir embora que eu já não tenho medo; já conheço o caminho.
Quando se afastou do mouro, aventou os carvões, pensado que não prestavam, mas ficou-lhe um entalado no cós da saia e ela não reparou.
Quando chegou a casa é que lá achou, não o carvão, mas uma libra em ouro. Bem voltou ela á procura dos carvões, mas eles já lá não estavam.
Contada por Júlia Dias – Vale da Mua
O Mouro e a Rapariga Roubada
Uma vez um mouro roubou uma rapariga na região do Peral. A rapariga queria livrar-se dele mas não sabia o que fazer.
-Então quando é que eu hei-de sair daqui?
Ele respondeu-lhe:
-Quando aqui se semear uma quarta de cominhos e um ramo de todas as flores e andarem dois bois gémeos a lavrar.
Ela perguntou-lhe
-O que é um ramo de todas as flores?
-É a cresta duma colmeia.
Ela trouxe tudo o que ele exigiu: a quarta de cominhos, a colmeia e os bois e ele deixou-a ir embora viver no Peral e não lhe aconteceu mais mal nenhum.
Contada por Júlia Dias – Vale da Mua